"The smallest minority on earth is the individual. Those who deny individual rights cannot claim to be defenders of minorities." Ayn Rand
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quarta-feira, outubro 10

Um Mercado à Parte

É fantástico, não é? Em média, um português aguenta mais de 12 anos na mesma empresa (na Europa só a Grécia faz melhor - ou pior, conforme a perspectiva). Nos Estados Unidos aguentam 4 anitos apenas. É a teoria do emprego para a vida que alimenta o sonho de parte do povo trabalhador. Em parte o medo de arriscar, o desejo da segurança. Mas em muito maior parte isto deve-se à impossibilidade de arriscar. Com as leis laborais que temos, uma empresa pensa duas vezes antes de contratar quem quer que seja, e o trabalhador pensa duas (para não dizer três ou quatro) vezes antes de deixar a sua empresa. Ou isso, ou o trabalhador português contenta-se com pouco, e rapidamente descobre o emprego que o deixa feliz...

Curiosamente (embora sem nada de curioso), a facilidade de despedir não promove taxas de desemprego elevadas. E mesmo sem gráfico, garanto-vos desde já que não promove salários baixos... Mais, boa parte da taxa de desemprego verificada nos EUA não é devido a desemprego de longo prazo (como em Portugal o é), mas por pessoas em situação de desemprego temporário enquanto acabaram de mandar um patrão à fava e procuram outro melhor.
O gráfico em cima é sobre o efeito do salário minimo no desemprego dos mais jovens. O que se constata é que quanto maior o salário minimo, maior o desemprego junto das classes mais jovens. Normal, um jovem sem habilitações e no inicio de actividade dificilmente terá um nível de produtividade que corresponda ao salário minimo...

Os estados a azul escuro, são estados norte americanos onde não existe salário minimo. Em Portugal nem se imagina o que isso é ou sequer que isso seja possível num país economicamente desenvolvido - há quem peça um salário mínimo tipo 426,5 euros. São curiosamente os mesmos que depois atacam o governo pelo desemprego elevado. Um dia, ainda me vão explicar de onde retiram estes valores. Qual o mecanismo e a forma de cálcular o salário minimo? Não há. De onde vem esta precisão dos 426,5? Podiam dizer qualquer coisa como à volta dos 425 euros, mas não, aquela merda é precisa: eles querem um salário minimo de 426,5 (atente-se no virgula cinco) euros. É um espectáculo. Mas em Portugal, acabar com o salário minimo seria o fim de qualquer governo.

Mas há sinais de mudança na sociedade portuguesa. No sector ao qual estou ligado, há várias pessoas a trabalharem no Algarve vindas de outras regiões do país (o que implica uma mobilidade não caracteristica do mercado de trabalho português), e boa parte do pessoal qualificado troca de empresa em busca de condições melhores a partir de certo ponto. Claro que continuam a existir pontos negros: há muito boa gente com qualidade para continuar a desempenhar funções na empresa que é posta de parte porque a empresa não pode arriscar ter mais um funcionário com contrato efectivo. Ao mesmo tempo que nessa empresa há pessoal efectivo que poderia muito bem ser posto de parte...

segunda-feira, maio 28

Números são números

O tipo da FENPROF diz que a taxa de desemprego dos licenciados é 3 vezes superior à taxa de desemprego dos não licenciados. A debitar a cassete comete uma gaffe tremenda. O ministro aproveita. Remeto todos os que não conhecem os números para este post. Carvalho da Silva sai em defesa do colega e joga com os números, diz também que não cai em casca de banana, já o tipo da FENPROF não pode dizer o mesmo...

segunda-feira, abril 30

Mercado de Trabalho


  • O mercado de trabalho português é um dos mais estáveis da OCDE. Há uma baixa rotação de trabalhadores, com o número médio de empregos ao longo da vida activa por trabalhador a ser relativamente baixo; e a antiguidade média no posto de trabalho, por oposição, a ser relativamente alta.

  • Os custos de despedimento em Portugal são elevadíssimos, portanto o salário máximo que o empregador está disposto a pagar ao trabalhador diminui e o limiar minimo de produtividade para criar um novo posto de trabalho é maior.

  • A dinâmica do mercado de trabalho português é fraca (não há os famosos quits que se vêem nos filmes norte-americanos, nem andamos com a casa às costas, sempre disponiveis para irmos atrás dos locais onde há emprego)

  • Os elevados custos de despedimento levam a que a quantidade de pessoas despedidas seja menor, mas ao mesmo tempo leva a que a duração média do desemprego aumente - logo o efeito sobre o nível de emprego é incerto.

  • Os Estados Unidos é o país com maior flexibilidade de despedimentos. Tendo tido taxas de desemprego semelhantes à portuguesa, apresenta contudo uma duração média do desemprego três vezes inferior à portuguesa.

  • Em Portugal a taxa de desemprego reflecte sobretudo o tempo que um individuo demora até encontrar emprego, nos Estados Unidos da América reflecte a constante entrada e saida de pessoas dos seus empregos (o quit para ir atrás de um emprego melhor).

Fonte: Trabalhos do Professor Pedro Portugal - docente da cadeira de Economia do Trabalho da Universidade Nova de Lisboa, entre outras coisas...

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