"The smallest minority on earth is the individual. Those who deny individual rights cannot claim to be defenders of minorities." Ayn Rand
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quarta-feira, julho 25

O mais negro

Let no one mistake it: This was one of the blackest days in the 104-year history of the Tour de France.

Assim começa o artigo do IHT sobre o dia de hoje da volta a França. Um dos dias mais negros. Assim era porque Cristian Moreni, um ciclista da Cofidis, fora apanhado nas malhas do doping (mais um caso a somar a Vinokourov), e a sua equipa, tal como a Astana, havia abandonado o Tour. Para além disso, um grupo de ciclistas franceses e alemães recusou hoje participar na corrida - um claro sinal de descontentamento face à liderança de Rasmussen. Tal como escrevi no último post, não via nada assim desde 1998. Nesse ano, houve uma etapa feita a ritmo de passeio, em forma de desagrado com o que se passava. Mas na altura os ciclistas queixavam-se da perseguição sem limites que a organização do tour praticava contra os ciclistas, como se a acusação de doping pendesse sobre tudo e todos. Descobre-se hoje que, se a organização do tour pecou (bem, quem mais pecou foi a UCI, mas isso é uma história mais comprida), pecou por defeito. Passados nove anos sobre esse ano dramático - o de 1998 - o tour não teve um dos dias mais negros, mas sim o mais negro de toda a sua história.

Quando Samuel Abt, o repórter do Herald Tribune, escreveu o artigo, ainda não sabia que Michael Rasmussen, o camisola amarela e vencedor da etapa de hoje, iria a ser posto fora da corrida pela sua equipa - a Rabbobank. Parece que a alegada estadia no México como desculpa para a ausência dos dois controlos anti-doping a que fora convocado era mentira - o ciclista encontrava-se em Itália.

Para um desporto que vive da publicidade - são empresas que dão o nome à maior parte das equipas de ciclismo - estes escandalos só diminuirão a atractitividade do desporto. Gostava que o que sucede agora fosse um epílogo para o que veio à tona da água em 1998. Mas temo que tempos negros se avizinham para o ciclismo. Onde o doping não é a excepção, mas sim a regra.

terça-feira, julho 24

Tristeza Profunda

Vinokourov dá positivo em controlo anti-doping

A equipa de ciclismo da Astana, que liderava colectivamente o Tour, decidiu abandonar esta tarde a Volta à França, na sequência do anúncio do controlo anti-doping do seu líder, o cazaque Alexander Vinokourov, que revelou a prática de uma transfusão sanguínea homóloga.

Tempos houve em que o ciclismo era o meu segundo desporto favorito - logo a seguir ao futebol. Em Portugal vibrava com os ataques de Joaquim Gomes na Serra da Estrela durante a volta a Portugal, enquanto na volta à França sempre preferi os trepadores - especialmente Richard Virenque ou Marco Pantani. Nem imaginam o quanto vibrei com a vitória em 1998 de Pantani sobre Ullrich na volta a França. Esse Tour - o de 1998 - teve a melhor etapa de ciclismo que eu alguma vez assisti, com uma vitória de etapa de Pantani na alta montanha em condições atmosféricas adversas e em que Ullrich ficou a mais de 8 minutos de distância.

Mas 1998 também marca o inicio do descalabro. Foi este o primeiro Tour marcado por escandalos de doping: o caso de doping da equipa Festina - escandalo esse que deixou três dos melhores ciclistas da altura, Virenque, Alex Zulle e Laurent Dufaux, de fora do tour de 1998. Não posso deixar de pensar que, já na altura, Pantani ganhou a volta a França e conseguiu fazer aquela etapa fantástica porque estava dopado - Pantani que viria a ser apanhado no ano a seguir nas malhas do doping.

Depois disso ainda acompanhei de perto as vitória de Armstrong. Mas a coisa já não era a mesma. A vitória de Roberto Heras na volta a Espanha, e o caso de doping que se lhe seguiu, bem como a vitória de Floyd Landis no último Tour, com todo o caso de doping que se lhe seguiu, retiraram quase todo o meu interesse pela modalidade.

Este ano voltei a dar uma espreitadela à coisa. Mas não está melhor. Vinokourov é apanhado nas teias do doping, e o camisola amarela actual, Michael Rasmussen, está suspenso pela federação dinamarquesa por ter faltado a dois controlos anti-doping seguidos.

Bjarne Riis disse à pouco tempo que tinha vencido o Tour de 1996 tendo recorrido a substâncias dopantes. Um verdadeiro exemplo de coragem. Temo, para tristeza minha, que não consiga acreditar que qualquer um dos vencedores do Tour nos últimos anos não estivesse dopado - inclusive Lance Armstrong. Dói-me ver o estado a que chegou a modalidade.

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