"The smallest minority on earth is the individual. Those who deny individual rights cannot claim to be defenders of minorities." Ayn Rand
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domingo, janeiro 6

Livros e Filmes

Satisfazendo a curiosidade do Ega, andei a reflectir sobre qual o filme que mais gostei de ver em 2007, bem como o livro que mais gostei de ler no ano que passou. Pede-me também o Ega que diga qual o filme e livro que mais expectativas me criam para 2008. Confesso que me é particularmente dificil fazer tal escolha, especialmente no campo do cinema onde o leque possível para escolha foi maior. Começo portanto pelo campo mais fácil, o da leitura.

O livro que mais gostei de ler foi a obra de Cormac McCarthy, A Estrada. Curiosamente, na altura que acabei de o ler não fiquei com a impressão que fosse a melhor coisa que havia lido até então - o livro era bom, mas não o melhor. Contudo hoje, e em perspectiva, recordo-me perfeitamente da história contada e de muitas passagens do livro. Esta capacidade de uma história marcar presença constante na memória de quem a lê é uma propriedade só ao alcance de grandes obras - e de 2007, é d'A Estrada que nem tão cedo me esquecerei. Para 2008 duas expectativas, uma a de ler o Exit Ghost de Philip Roth e ficar com a mesma impressão dos criticos que tenho lido, ou seja, que o livro é excelente. A segunda a de fazer com Cormac McCarthy o que fiz este ano com Philip Roth - gastar uma pequena fortuna e comprar boa parte da colecção literária do escritor e lê-la.

No cinema, sou obrigado a fazer algumas divisões, porque não consigo eleger um único filme. No campo do fantástico, o Stardust foi o que mais gostei de ver. No tipico filme para toda a familia, foi o The Pursuit of Happyness que mais gostei (e sim, é happiness escrito com y). Na comédia romântica, mais para o lado da comédia o Knocked Up, mais para o lado do romântico o No Reservations. Na comédia pura e dura, o Hot Fuzz. No campo dos dramas, entre os que vi no cinema destaco o Zodiac de David Fincher, entre os que não faço a minima a ideia como já os vi destaco o No Country for Old Men dos irmão Cohen. Para 2008, a breve trecho estou ansioso por ver o Sweeney Todd, There Will Be Blood e The Darjeeling Limited. A mais longo prazo estou com curiosidade de ver o que vai sair deste Atlas Shrugged que para além de ser a adaptação ao cinema de uma obra de Ayn Rand, contará com a presença da magnifica Angelina Jolie.

segunda-feira, dezembro 24

Feliz Natal

O centro comercial a abarrotar. As últimas compras de natal. A secção de doces no supermercado com as prateleiras vazias. Uma indecisão final entre os destaques literários da FNAC. De Cormac McCarthy lá estava o "Este País Não é Para Velhos" e de Philip Roth "O Animal Moribundo". Optei pelo segundo, o primeiro vou esperar pelo filme. Não me contenho, sou um tipo que tem de oferecer prendas a sí próprio. Mais umas ofertas compradas e no fim mais um fato para a minha colecção. Carteira vazia, mas trato-me bem. O natal é uma vez por ano, ou num registo mais optimista, o natal é quando o homem quiser. Tratem-se bem e tratem bem os outros.

Feliz Natal a todos os leitores que por cá passam ou, num registo politicamente correcto, boas festas.

domingo, dezembro 9

Obra Infantil

Quem o diz é Philip Pullman, autor da triologia His Dark Materials, cujo primeiro livro vê agora ser feita a adaptação para cinema com o filme The Golden Compass. Pullman claramente não gosta da triologia de Tolkien, chegando mesmo a apelidar The Lord of the Rings como uma obra infantil. Diz ainda mais, diz que "Tolkien is not interested in the way grown-up, adult human beings interact with each other. He's interested in maps and plans and languages and codes."

Sobre The Chronicles of Narnia de C.S.Lewis, Pullman também não tem opinião muito favorável. Em 1998, aquando do centenário do nascimento do escritor britânico, Pullman escrevia no Guardian o artigo "The Darkside of Narnia", onde concluia da seguinte forma: "I haven't the slightest doubt that the man will be sainted in due course: the legend is too potent. However, when that happens, those of us who detest the supernaturalism, the reactionary sneering, the misogyny, the racism, and the sheer dishonesty of his narrative method will still be arguing against him."

Sobre As Crónicas de Nárnia tenho pouco a dizer, também não sou grande fã. Agora sobre Tolkien e o seu magistral O Senhor dos Anéis acho que Pullman falha redondamente na sua análise. Fazia-lhe bem ler um pouco de Tom Shipey. A preocupação de Tolkien com mapas, planos, linguagens e códigos é uma constatação para quem lê a obra, mas não é só isso que lá está presente, nem é isso o que de mais importante se retira da leitura. O livro de Tolkien é todo ele um épico glorioso sobre a natureza do mal e a luta que todo o homem enfrenta para guiar-se pelo valores correctos. O anel como simbolo de poder que consegue corromper até o coração dos mais justos.

Mas Pullman agora terá motivos para ponderação. A "obra infantil" The Lord of the Rings conseguiu fascinar tantos e de todas as idades - quer em livro, quer em filme - e a sua obra "magistral", apesar de um sucesso ao nível do livro, parece destinada a falhar ao nível do grande ecrã (ou pelo menos, a não passar de um êxito modesto). O motivo, como tão bem explica aqui o Alex Tabarrok com ironia, é a falta de direcção do filme (recorde-se que o titulo do filme é A Bússola Dourada). Por outro lado, aqui, Christopher Orr aponta a mesma critica ao filme com a frase "somebody get the director a map."

Afinal, ironia das ironias, embora fosse evidente para meio mundo, o que distingue a obra de Tolkien de todas as restantes é exactamente aquela preocupação com os mapas, planos, linguagens e códigos. Não vai faltar quem culpe o relativo insucesso da adaptação de His Dark Materials ao cinema em relação ao The Lord of the Rings com o trabalho do realizador, mas tivesse Chris Weitz o mesmo mundo com que trabalhar que teve Peter Jackson e a história poderia ser outra.

terça-feira, novembro 20

Recorrente

O caro Ega mudou de ares. Depois d'o juizo do ega e do espaço da liberdade democrática, é agora a vez do metafisica do esquecimento (já adicionado, como merecido, à barrinha do lado direito). E para começar, lança-me logo uma daquelas correntes caracteristicas da blogosfera - que para além de animar a malta, deu-me aqui um óptimo pretexto para um post - e é certo que gosto de manter a média da publicação de um post por dia, mesmo que alguns posts sejam autênticas obras da arte de encher chouriços.

O desafio consiste em escolher a 5ªfrase da página 161 do livro que estiver mais à mão (recordo já ter respondido a tal desafio por uma vez aqui). Desta vez, os livrinhos que tenho mais à mão são os da colecção completa dos Escuteiros Mirim, mas não consta que qualquer um destes tenha página 161 - perante tal facto incontornável, a solução óptima é aquilo que na giria economista se apelida de second best, e esta recaiu sobre o livro de Howard Fast, Max, Imperador de Hollywood. Ao abrir a página 161 do livro em causa, deparo-me com esta magnifica frase:

"Esta era uma linda jovem ruiva que se chamava Della O'Donell e, pelo que constava, uma parente afastada do Patrão Murphy."

Dito isto, passo a corrente à Eo e ao Fusco. À serotonina não passo... ainda recentemente passou-lhe pela mão a corrente adulterada, vejam bem que não lhe pediram o livro mais à mão, mas os cinco livros mais à mão... não se faz.

terça-feira, outubro 30

Outras Leituras

The threat to capitalism from the worldwide green movement is formidable, and Lal’s chapter “The Greens and Global Disorder” is the best short analysis of it I have read. He exposes the misanthropy underlying green philosophy. I have yet to meet a classical liberal who does not appreciate a healthy and diverse environment. However, the questions are: What can we preserve, and how can we preserve it without inflicting greater harm on ourselves? The green movement grows by preying on people’s natural fears of ecological catastrophe. Greens object to life-saving chemicals such as DDT, low-emission nuclear energy, genetically modified crops that save millions from malnutrition and starvation, harvesting of renewable resources, wind farms, geoengineering, and innumerable other initiatives worldwide that threaten their idyllic and static view of the world. They seek to employ the precautionary principle to veto any enterprise that bureaucratic scientists do not declare to be environmentally risk free. Civilization cannot exist in such a regime. The great green trump, of course, is climate change. The facts that the climate changes without human causation, that its fluctuations over long periods are well known, that the human contribution to climate change is speculative, that there are enormous costs in trying to stop climate change, that there are actual gains from climate change, that adaptation to climate change is feasible, and that there are technological and market-based alternatives to the Kyoto scheme do not deter green fundamentalists.

sexta-feira, agosto 17

O Mau, o Péssimo e o Pior

Sobre o novo livro de Robert Gellately (Lenin, Stalin, and Hitler: The Age of Social Catastrophe), o artigo Compare and contrast na The Economist:

IN THEIR different ways they were as bad as each other, the three monsters of 20th-century Europe. That is an oddly controversial statement. Hitler is almost universally vilified; Lenin remains entombed on Red Square as Russia's most distinguished corpse; and modern Russia is looking more kindly on Stalin's memory.

Anyone who still believes in the myth—assiduously propagated by the Soviet Union and its admirers—of the “good Lenin” will find the book uncomfortable reading. The author outlines with exemplary clarity Lenin's cruelty, his illegal and brutal seizure of power, his glee in ordering executions, the institution of mass terror as a means of political control and the construction of the first camps in what later became the gulag. “Far from perverting or undermining Lenin's legacy, as is sometimes assumed, Stalin was Lenin's logical heir,” he writes icily.

Mr Gellately busts another myth too: that Hitler seized power by fear and force. The combination of anti-Jewish and anti-Bolshevik rhetoric played well with the German public. People felt humiliated by defeat and impoverished by recession, and Hitler blamed “the Jews” for both.

Leitura recomendada: Aconteceu na URSS

terça-feira, agosto 7

Belo dia em que os comprei

"Tivesse ele sabido do sofrimento mortal de todos os homens e mulheres que por acaso tinha conhecido durante todos os seus anos de vida profissional, da história penosa de desgosto, sofrimento e estoicismo, de medo, pânico, isolamento e pavor de cada uma dessas pessoas, tivesse ele sabido de todas as coisas, até à mais insignificante, que elas tinham deixado para trás depois de em tempos terem sido estruturalmente suas, e da forma sistemática como estavam a ser destruídas, e teria sido obrigado a ficar ao telefone o resto do dia e pela noite fora, fazendo pelo menos mais cem chamadas. A velhice não é uma batalha; a velhice é um massacre."

Philip Roth, Todo-o-Mundo, Publicações D.Quixote, pp. 154-155, tradução de Francisco Agarez.

Já lido, e altamente recomendado. Quando neste post disse que ia devorar os dois livros no fim de semana, menti. Menti porque o tempo não me permitiu tal feito. Fiquei-me pelo livro de Roth. Podia também ter mentido na parte do "devorar" - qualquer um dos autores é novidade para mim (leitor mais assíduo de clássicos), e embora as criticas fossem boas, já me desiludi frequentemente com obras que cometeram a proeza de sobreviver ao passar do tempo. Lembro-me de começar a ler um dos Trópicos (Capricórnio ou Câncer, não me recordo) de Henry Miller e ter desisitido logo nas primeiras páginas. Mas com Everyman (titulo original) de Roth verificou-se aquele click que torna a leitura mágica -o começar a ler e não mais querer parar. De tal forma que o A Conspiração contra a América já está na lista para ler a seguir (sim, é defeito, se gosto de um autor tenho de ler mais do mesmo - se bem que pelo que li este Todo-o-Mundo fugia um bocado ao habitual em Roth - logo descubro). Mas entretanto há uma caminhada entre um pai e um filho num mundo algures entre o Mad Max e o Dawn of the Dead para acompanhar:

"Vamos, disse. O rapaz voltou a cabeça e olhou para o carrinho pela derradeira vez e depois seguiu-o em direcção à estrada."

Cormac McCarthy, A Estrada, Relógio d'Água, pp. 69-70, tradução de Paulo Faria

Sim... não duvidem... também é para "devorar"...

quarta-feira, agosto 1

Para mostrar que sou um gajo que lê muito












Hoje, numa breve passagem pela FNAC do Algarve Shopping, desembolsei míseros 27,45€ pelos dois livrinhos acima expostos, valor este distribuido em 14,85€ para o livro de Philip Roth e 12,60€ para o de Cormac McCarthy. No fim de semana conto devorar os dois. Por enquanto, a leitura do Da Democracia na América continua a um ritmo lento e com pausas grandes entre um capitulo aqui e outro capitulo acolá... mas as mais de oitocentas páginas do livro assim o exigem. É uma pena que o tempo livre para ler seja pouco - às vezes nem é falta de tempo, é falta de vontade - e maior pena tenho que quando tinha tempo livre para dar e vender não lesse tanto quanto devia... agora, que remédio, à que compensar o tempo perdido... mesmo que sem tempo para...

segunda-feira, julho 30

Com 3 letrinhas apenas...

Ora bem, desta vez foi a gotinha a desafiar-me (parece que por mero acaso, dado que baseou os desafios numa breve consulta ao seu sitemeter - o que fez-me lembrar aqueles concursos do ao telefonema número 100 ganha... e eu ganhei umas quantas visitas para o meu sitemeter... thanks gotinha). Dado isto, era obrigado a responder. Devo dizer que tive dificuldade a decidir qual o livro - não gotinha, não estava a fugir às regras, mas os livros andam espalhados pela casa, e decidir qual é o mais próximo da posição geográfica da minha cadeira do computador foi tarefa árdua. Mas lá me decidi, por um que já li faz muito tempo, mas que se encontra guardado no móvel da sala mesmo aqui ao lado do personal computer (aka pc).

Ora, a 5ªfrase completa da página 161 do tal livro* reza assim: "Tudo nessa existência era banal e indiferente, mas havia pelo mundo uma inumerável quantidade de criaturas vergadas àquele modo de vida...".

* A Mãe, Máximo Gorki, editora Ulisseia, 5ªedição, Maio de 1967, tradução de Alexandre S.Kleist e capa de Sebastião Rodrigues.

sexta-feira, julho 27

Leitura de verão

Assisto à entrevista de Jaime Nogueira Pinto na SIC Noticias a propósito do seu livro António de Oliveira Salazar: O Outro Retrato. Devo dizer que, apesar de não ter nenhuma simpatia pela figura em causa, a mesma desperta em mim uma certa curiosidade - para não dizer uma enorme curiosidade. Quer pelo rumo que Salazar deu a Portugal, quer pela notória influência que o mesmo ainda tem nos hábitos actuais dos portugueses.

Certamente que uma outra visão de Salazar é bem vinda, para discutir o estado novo longe dos preconceitos criados na sociedade portuguesa. Curioso será, e nisso Jaime Nogueira Pinto tem a razão do seu lado, como boa parte desses preconceitos foram implementados na sociedade portuguesa por pessoas que simpatizavam com um regime tremendamente mais repressivo que o do estado novo. Curiosa foi também a reacção de Mário Crespo - um dos poucos jornalistas portugueses que verdadeiramente admiro, devo confessar - quando Jaime Nogueira Pinto referiu que muitos que criticavam o Tarrafal eram simpatizantes de regimes com campos de concentração piores. Mário Crespo lembrou-se do Cambodja - quando era óbvio que Nogueira Pinto referia-se aos Gulag na URSS. Um país tremendamente influenciado pela esquerda, é o que temos...

sexta-feira, julho 20

Ir na corrente

To be in love is not the same as loving. You can be in love with a woman and still hate her.

O Ega inseriu-me numa daquelas correntes dos últimos cinco qualquer coisa e tal (até o maradona exigiu entrar numa, e o besugo acabou de entrar - curiosamente referindo-se de forma depreciativa a um dos últimos cinco livros que o Ega leu e gostou, e que eu já li faz muito tempo e adorei - opiniões).

Mas aqui vou eu à minha listinha (deixo de fora a parte culinária, se me permites caro Ega, ando a alimentar-me mal e não quer expôr os meus ilustres visitantes a tão fraca gastronomia). Seguindo para a lista dos últimos cinco livro (sem nenhuma ordem especial):

Sobre a Liberdade, John Stuart Mill - o caríssimo Engº Sócrates nunca o leu, ou tendo-o lido, não o percebeu...

Portas de Fogo, Steven Pressfield - leve, lê-se rapidamente, e vinha na sequência do filme 300...

Democracia na América, Alexis de Tocqueville - a ler (conta, não conta? decidi que contava porque figurava bem na lista), não estranhem quando começarem a surgir as citações...

Ubik, Philip K.Dick - sendo escrito pelo autor que proporcionou alguns dos melhores argumentos de ficção cientifica ao cinema, não desilude...

Os Irmão Karamazov, Fiodor Dostoievski - pode parecer exagerado, mas não o é, este livrinho apenas (e apenas é figura de estilo) vale mais (para mim) que toda a restante leitura junta. Não é leitura recomendada, devia ser obrigatória, bem como quase toda a obra do escritor russo - que para mim só encontra rival em Kafka.

Por mim a corrente fica por aqui, livre de ser apanhada por quem a quiser...

segunda-feira, fevereiro 12

Sobre a liberdade


Acabadinho de comprar na FNAC do Algarve Shopping.

On Liberty escrito por John Stuar Mill é um livro que me falta ler. Em breve, terei essa lacuna colmatada.

domingo, fevereiro 4

Dune de Frank Herbert

Lembro-me de há muitos anos atrás ter apanhado um filme na televisão. Fiquei imediatamente apaixonado pela história desse filme. Na altura, gostei, mas não fazia a minima ideia do que tinha acabado de ver. Mais tarde, revi esse filme, o seu nome: Dune, de David Lynch. Já devo ter visto o Dune do Lynch uma mão cheia de vezes, e fico sempre apaixonado com a qualidade da história, e apesar de eu hoje reconhecer que o filme não alcançou todo o potencial do livro, eu considero-o uma ode à ficção cientifica.
Também vi a mini-série Dune que passou em 2000 no Sci-Fi Channel nos Estados Unidos. Voltei a gostar, sinto-me sempre esmagado pela grandeza da história, não consigo evitá-lo. Se o actor é bom, se o actor é mau, se o realizador é bom, se o realizador é mau, tanto faz... basta a história para gostar do filme.
Fui então tentado a ler o livro. Fui à FNAC do Colombo e procurei essa obra de seu nome Dune, escrita por Frank Herbert. Não achei com tradução em português... não faz mal, venha dai um Dune na lingua original, em inglês. Li o livro, adorei.
Se o Lord of the Rings é unanimemente considerada a melhor obra de fantasia do mundo, Dune tenderá a ser considerada a melhor obra de ficção cientifica jamais criada. O universo criado por Herbert é de uma aterradora complexidade que nos deixa perplexos pela infindável rede de plots e mini-plots que envolvem a história. Pelo extraordinário background histórico criado para dar suporte à história que se conta. Pela capacidade de imaginarmos aquele mundo ficcionado como um mundo a que nós podiamos pertencer, ou melhor, por pertencermos a um mundo que de certa forma se encontra ali espelhado. Ao contrário de Lord of the Rings, onde a divisão entre o bem e o mal é facilmente traçada, em Dune não é essa a luta que se trava. Não é o bem e o mal que está em causa. É o poder, e a sede pelo poder.
Naquele que no inicio é Paul Atreides e que mais tarde se transforma em Muad'dib, o que se vê não é um simples herói que luta pelo bem contra o mal. O próprio Paul Atreides tem dúvidas em relação aquilo que Muad'dib poderá representar no futuro.... com visões sombrias de um exército que mata milhares em seu nome.
Poderia continuar aqui neste post a explicar o universo de Dune. Passava agora para a importância da spice melange que naquele universo é o sustentáculo de toda a actividade económica, e cuja produção encontra-se unica e exclusivamente no planeta Arrakis (aka Dune) - aquilo é uma espécie de Médio Oriente e o seu petróleo, lá está, as semelhanças com a realidade. Podia falar dos Fremen, o povo de Arrakis, os únicos que, por estarem habituados a um ambiente adverso, conseguirão fazer frente aos (até ai imaginados invenciveis) Sardaukar. E das três familias politicas (denominadas casas) mais importantes da história: a casa Atreides, a casa Harkonnen e a casa imperial Corrino. E ainda me faltaria mesmo assim falar da importância da ecologia no planeta Arrakis, que apesar de um deserto, os Fremen acreditam poder vir a tornar-se num planeta cheio de vida, vegetação e água. E ainda resta a Spacing Guild, os empresários do petróleo lá do sitio, e as Bene Gesserit, mas estas últimas, as bruxas lá do sitio, têm tantas implicações a niveis religiosos que precisava só de um post para elas, e seria um post grande, acreditem.
Tomando a liberdade de fazer a tradução de parte do texto que se encontra presente aqui, ai está para epilogo:
Numa história que explora as interacções complexas da politica, religião, ecologia, tecnologia, e das emoções humanas, o destino de Paul, da sua familia, do seu novo planeta e seus habitantes nativos, bem como do Imperador Padishah, a poderosa Spacing Guild, e a ordem feminina secreta das Bene Gesserit, são todos lançados num confronto que irá mudar o curso da humanidade.
Como costumo dizer: o Star Wars, quando comparado ao Dune, é uma brincadeira de crianças.

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