"The smallest minority on earth is the individual. Those who deny individual rights cannot claim to be defenders of minorities." Ayn Rand
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domingo, março 2

Enquanto...

...a União Europeia anda a multar a Microsoft em somas astronómicas para se financiar - numa multa que para mim não faz o minimo sentido. As forças aéreas norte-americanas acabam de fechar acordo com a empresa europeia Airbus para um fornecimento no valor de 65 biliões de dólares, deixando de fora a empresa norte-americana Boeing - o que levantou protestos por parte de alguns sectores norte-americanos.

A história pode ser encontrada neste artigo da Economist. O que é verdadeiramente singular neste caso terá sido a tentativa inicial das forças aéreas norte-americanas em atribuirem o concurso à Boeing - e o mesmo ter sido dado como fechado. Mas investigações do congresso norte-americano, lideradas pelo actual candidato republicano John McCain, revogaram a decisão pois concluiram que a Boeing tinha sido beneficiada no processo.

Enquanto isso, a França continua a sua cruzada contra tudo o que é americano. Já tentaram fechar o EBay e a Amazon foi multada porque, imagine-se, não cobrava nada pelo envio dos livros para a casa das pessoas.

domingo, fevereiro 24

Kosovo, Cuba e Chipre

EMBARGO, SHMEMBARGO: IT'S ALL GREEK TO ME

As el Comandante makes his exit, Stephen Hugh-Jones takes a moment to skewer the American trade embargo on Cuba. Not only does it rank among the longest-lasting geopolicy failures in history, but the EU is making the same mistake with the Turkish Republic of Northern Cyprus...

In sum, since the 1980s the EU has been trying, like the United States since the 1960s, to get rid of a regime it disapproves of through impoverishment; a regime, moreover, which, unlike Castro's, practises a tolerable version of democracy, and has never posed any threat to the EU's interests, let alone offered to install the nuclear missiles of its enemies. Like the US, the EU has failed. Yet, like the US, it persists.

The EU accepted the break-up of Yugoslavia; indeed most big EU countries have just rushed to recognise the dismemberment of Serbia by Kosovo's Albanians, which--however strong their claims--threatens the peace of Europe far more than does the existence of the TRNC. Nor can one reasonably try to starve a nation into changing its mind, let alone one that threatens nobody. The EU doesn't try that with Iran or North Korea, still less Cuba. It does try with the Turkish-Cypriots.

quarta-feira, janeiro 9

Nem tão cedo...

UE nervosa recorreu a Cavaco Silva

O Presidente da República teve um papel preponderante na decisão final de José Sócrates em não convocar um referendo nacional ao Tratado de Lisboa. Segundo soube o DN junto de fontes políticas, Aníbal Cavaco Silva terá recebido nos últimos dias várias mensagens de países com peso na União Europeia. Os contactos diplomáticos, segundo as mesmas fontes, ocorreram com a tensão gerada em muitos países da UE com a mera possibilidade que existia de Sócrates se decidir pelo cumprimento da sua promessa eleitoral.

Estes outputs de países como a Alemanha (o país liderado por Angela Merkel foi o mais incisivo nestes contactos) terão virado inputs de Belém em relação a São Bento, ainda segundo as supracitadas fontes. Ou seja, pelos canais institucionais, a Presidência da República terá feito saber ao Governo qual era o sentimento reinante na maior parte dos países europeus.
O presidente pode nunca mais contar é com o meu voto. O presidente desde o inicio sempre achou por mal a realização de um referendo, mas parece-me que mais do que a opinião pessoal do senhor presidente, o senhor presidente seria mais útil se fizesse os politicos eleitos cumprirem o que prometeram em campanha (a começar pelo nosso primeiro). O senhor presidente foi eleito pelo povo português para servir os interesses deste, se o senhor presidente acha que é fazendo de pombo correio dos interesses de outros povos europeus que serve melhor os interesses do povo que o elegeu, muito bem, que o faça... nem tão cedo volto é a ir votar.

domingo, dezembro 9

Cimeira UE-África

Uns quantos ditadores africanos vieram a Lisboa passear vaidades e fazer propaganda. O governo português fica extremamente satisfeito porque obteve mais um registo para pôr no curriculum da presidência da UE. Uma cimeira com África que já não se fazia desde a última presidência portuguesa em 2000, essa feita em território africano no Cairo. Como todos se devem recordar, um autêntico sucesso. O objectivo da cimeira, como convém, não passa de uma coisa vaga como reabrir o diálogo entre a europa e a áfrica. De concreto, de palpável? Pouco ou nada, excepto os gastos para a realização de tão magnânime espectáculo. No fim, objectivo cumprido, cada um pode seguir a sua vida. Os africanos tratam dos problemas deles que nós tratamos dos nossos. Very nice, very good, keep on moving, men! Da crise no Darfur? Bem, a cimeira não tem tabus e todos os assuntos estão em cima da mesa, mas calma... ok... porque isto afinal, tal como põe as coisas o nosso primeiro, trata-se de uma coisa "entre iguais". Até podemos discordar, mas nada de pôr em causa a legitimidade de um Omar al-Bashir, de um Muammar Kadhafi ou de um Robert Mugabe de liderarem os seus países em completo desrespeito pelas liberdades e garantias do povo - é tão óbvia a razão porque não se recebe o Dalai Lama, como é óbvia a razão porque se recebe o Mugabe e amigos. Quanto a mim, que se f*da a real politik, se é que o leitor me perdoa o desabafo...

De resto e para concluir, gostaria de deixar um breve apontamento entre a comparação entre a cimeira UE-África e a cimeira Ibero-Americana. É óbvio que os lideres africanos ainda tem muito que ensinar aos lideres sul-americanos sobre governos ditatoriais, mas sobre palhaçada e entretenimento deixam muito a desejar quando comparados com Chávez (nem Kadhafi, o big entretainer da cimeira chegou sequer aos pés do lider venezuelano). Não houve um momento "porque não te calas?" nesta cimeira - o que só lhe retira valor - e assim não vale a pena.

quinta-feira, novembro 8

Excepção

O último post perde valor se entretanto for marcado um referendo em relação ao novo tratado de Lisboa - nesse caso vou votar, ainda que neste momento esteja na fase nim... mas vou votar.

quinta-feira, outubro 18

Tratado

Fala-se muito do que pode vir a ser (pelos vistos ainda esta noite) o mais recente tratado europeu: o tratado de Lisboa. Há quem considere tal facto um motivo de grande orgulho para o povo português... eu cá por mim, não gosto de avaliar os tratados pelo nome, gosto mais de avaliar os tratados pelo que lá vem escrito.

E de resto, em relação ao projecto europeu, desde o tratado de Roma (1957), seguido pelo tratado de Maastricht (1992), os outros tem-se seguido em cadadupa sem deixar grande impacto na cena europeia. O de Amsterdão (1997) e o de Nice (2001) poucas saudades deixaram e rapidamente se eclipsaram... suponho que o mesmo acontecerá ao de Lisboa.

Mas tratados, tratados, aqueles que nunca se esquecem são estes: Zamora (1143); Tordesilhas (1494); e Methuen (1703).

sexta-feira, junho 22

Todos somos iguais, mas há uns mais iguais que os outros


Andamos todos a forçar uma viagem que a maioria não quererá de todo. Eu gostava da União dos pequenos passo - não gosto da nova Europa. Uma Europa feita à pressa, baseada no pressuposto que se não evoluir rapidamente estará criado um impasse que pode ferir de morte o projecto europeu.

A ameaça de perda de fundos para a Polónia; as declarações de José Manuel Barroso (ex-Durão) de que o não alcançar um acordo era uma derrota para todos, repito, para todos; e a mais recente proposta alemã de avançar para as negociações formais sobre o novo tratado europeu sem a Polónia, não são certamente os melhores sinais.

Uma UE cada vez mais influente na vida dos cidadãos - veja-se a propósito disso o caso da perspectiva de proibição à fast food. Uma UE que aceita pôr em causa um dos seus principios fundadores ("It emerged on Thursday June 21st that France’s new president had succeeded in removing “free and undistorted competition” from a list of the EU’s core objectives at the top of a new “reform treaty” being thrashed to replace the defunct constitution"). Uma UE cada vez mais politica, e menos livre.

sexta-feira, maio 25

À Falta de um Motor de Busca Europeu

EU asks Google to explain data retention policies

In the latest example of a U.S. technology giant potentially being called on the carpet in Europe, Google has been warned that it may be violating European Union privacy laws by storing data on its users for up to two years.

Any EU effort to impose limits on Google, which as a U.S.-based firm operates under U.S. law, would be the latest in a series of increasingly aggressive actions taken by European policymakers to reign in global technology companies.
Google described the committee's request as reasonable. It noted that the company itself raised the issue with EU officials in March by announcing that it was shortening the retention of customer data, which had previously been unlimited, to up to two years. Other large search engines like Yahoo and MSN Search have not disclosed how long they keep data on users.

"There can be reasonable arguments for and against keeping server logs for this length of time," said Peter Fleischer, Google's global privacy counsel. "But we believe that between 18 and 24 months is a reasonable length of time to balance privacy issues with business concerns."

In a letter to be sent to the EU panel, Google will argue that the retention periods are necessary to ward off hackers and prevent Internet advertising fraud, and to improve Google's search algorithm, Fleischer said.
Imagine-se que a União Europeia decide que a politica de privacidade da Google não está conforme a lei europeia e a Google recusa tomar medidas, o que pode a UE fazer? Proibe o acesso ao servidor da Google por parte dos internautas europeus? Multa a Google? Como?!?! Em que base?

Um qualquer comité europeu age como se fossemos a União das Repúblicas Socialistas Europeias e procura pressionar a Google tal como os chineses fizeram. Na China lá conseguiram que a Google limitasse o resultado das pesquisas à vontade do regime. Na Europa, não tarda estaremos a exigir o mesmo.

Para mim, é mais dor de cotovelo porque até a vontade das mais forte nações - com projectos falhados tipo Quaero, o suposto super motor de busca europeu - perdem para a inteligência, criatividade e iniciativa de dois tipos que criaram um projecto milionário a partir de um computador numa cave - sem qualquer tipo de ajuda do estado norte-americano.

Se a Europa apresentasse alternativas à criatividade e dinâmica empresarial do sector tecnológico americano estariamos melhor servidos. Por enquanto, parece que há muito que decidimos deixar de nos preocupar em fomentar a iniciativa empresarial na Europa - e procuramos tomar medidas contra as iniciativas dos outros.

Tomamos medidas contra aqueles que tem maior sucesso - não é por acaso que a Google é a primeira a ser ouvida - teve o "azar" de ter o motor de buscas mais utilizado. A inveja com o sucesso dos outros e a apatia para com a nossa incapacidade de termos sucesso é um dos males que atormenta a Europa.

sábado, abril 7

Chutar para a frente


José Pacheco Pereira no Abrupto:
Quem não quer que haja referendo sobre a chamada Constituição Europeia não quer democracia na União Europeia. Tão simples e tão grave como isto. Parece, a julgar pelo Expresso, ser o caso de Durão Barroso que está a pressionar o governo para romper com o compromisso referendário do PS e do PSD.

Paulo Gorjão no Bloguitica:
Eis uma pequena amostra da linha de argumentação que nos poderão querer vender em breve: caros portugueses, afinal não será necessário submeter a referendo o texto do tratado em (re)negociação porque, na realidade, tudo não passa de questões técnicas e de simples fórmulas de funcionamento.

E qual é a novidade deste desenvolvimento face à "Nova" Constituição Europeia? Pouca ou nenhuma. Afinal de contas, as coisas sempre foram assim - porque haveriam de mudar? Da mesma forma que nunca submeteram o Tratado de Maastricht à aprovação dos portugueses, e por essa via, aderimos ao Euro sem qualquer consulta referendária aos portugueses, os governantes não vêem nenhum motivo de interesse em levar o novo projecto europeu à discussão pública - o risco é grande, e eles, como sempre, não querem correr o risco de constatarem que o povo não está do seu lado - embora depois - mesmo que a resposta do povo ao novo projecto seja negativa - sempre se ensaiem as respostas do costume: é um voto de descontentamento com a situação interna - pois claro, com a UE todos tem de andar satisfeitos.

Em Portugal o espirito critico é pouco. O considerar que os governantes decidem melhor por nós do que nós decidimos por nós mesmos há muito que é regra generalizada na cabeça de grande parte do povo português - isto apesar de recorrentemente falarem mal daqueles que os governam. O governo também ajuda, o programa curricular do ensino secundário é pró-União Europeia - não favorece praticamente em nada o espirito critico em relação ao projecto europeu - procura levar-nos a aceitar a UE como um dado certo. As poucas questões que coloca na cabeça dos jovens estudantes é como vai a UE evoluir, em que sentido deveremos caminhar, mas nada diz sobre o processo evolutivo já caminhado. E o não questionar o que já se fez, é o primeiro passo para não questionar o que aí vem.

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