"The smallest minority on earth is the individual. Those who deny individual rights cannot claim to be defenders of minorities." Ayn Rand
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sexta-feira, janeiro 11

Aversão do Ambientalismo ao Capitalismo

Via Miguel Noronha:

The world’s cheapest car - a runabout costing just £1,300 - was unveiled in New Delhi to protests from environmentalists but delirious excitement from millions of ordinary Indians.
Gostava de ouvir sinceramente os argumentos dos ambientalistas a desfavor do novo carro barato - e mais que isso, qual a sua solução? Proibe-se a sua venda e veda-se o acesso de milhares de pobres a um automóvel? É isso, não é... é o capitalismo o promotor de desigualdades sociais? Ainda alguém acredita nisso?

A propósito disto a The Economist trazia um artigo interessante na sua edição passada, o mesmo referia o facto de que apesar de o fosso no rendimento entre mais ricos e mais pobres nos Estados Unidos ter aumentado durante o século XX, a verdade é que se no inicio do século um rico podia ter um carro e um pobre não, hoje um rico pode ter um carro topo de gama, mas o pobre não deixa de poder ter um carro - mesmo que dos baratos. E variados exemplos deste tipo encontramos na economia actual quando comparada com a de há 100 anos atrás. O capitalismo, mesmo que aumente o fosso entre ricos e pobres (o que numa visão absoluta não significa aumento da pobreza, repare-se), generalizou o consumo de determinados bens a todos os extractos populacionais... seria melhor a situação antiga? Não me parece...

terça-feira, outubro 30

Outras Leituras

The threat to capitalism from the worldwide green movement is formidable, and Lal’s chapter “The Greens and Global Disorder” is the best short analysis of it I have read. He exposes the misanthropy underlying green philosophy. I have yet to meet a classical liberal who does not appreciate a healthy and diverse environment. However, the questions are: What can we preserve, and how can we preserve it without inflicting greater harm on ourselves? The green movement grows by preying on people’s natural fears of ecological catastrophe. Greens object to life-saving chemicals such as DDT, low-emission nuclear energy, genetically modified crops that save millions from malnutrition and starvation, harvesting of renewable resources, wind farms, geoengineering, and innumerable other initiatives worldwide that threaten their idyllic and static view of the world. They seek to employ the precautionary principle to veto any enterprise that bureaucratic scientists do not declare to be environmentally risk free. Civilization cannot exist in such a regime. The great green trump, of course, is climate change. The facts that the climate changes without human causation, that its fluctuations over long periods are well known, that the human contribution to climate change is speculative, that there are enormous costs in trying to stop climate change, that there are actual gains from climate change, that adaptation to climate change is feasible, and that there are technological and market-based alternatives to the Kyoto scheme do not deter green fundamentalists.

segunda-feira, outubro 22

Em Cuba poucos tem telemóvel

Ainda bem que decidi deixar de assistir ao Prós e Contras desta noite, o João Miranda teve a gentileza de fazer um óptimo resumo.

A partir do momento em que um dos intervenientes referiu o telemóvel como um exemplo das maiores dificuldades dos pobres de hoje em contrapartida com os pobres de ontem, procurando explicar a enorme pressão que o desejo de posse destes bens supérfluos exerce sobre os cidadãos actuais (a eterna apologia da maldita sociedade de consumo), achei por bem não ver o programa.

É que estas merdas colocam imensa pressão sobre a minha frágil capacidade de análise. Começo imediatamente a ponderar onde o tipo pretende chegar? Quer o tipo dizer que o óptimo seria todos terem telemóvel? Devia ser proibido o telemóvel? Senhas de racionamento?

Conceito de Pobreza

Pode ser um problema muito meu, mas custa-me a aceitar um conceito de pobreza onde uma melhoria das condições de vida de todos leve a um aumento da pobreza.

O Prós e Contras desta noite gira em torno deste conceito - insuportável, portanto - bastaram cinco minutos de programa para mudar de canal.

Que queiram confundir desigualdade de rendimento com pobreza, estejam à vontade, eu cá por mim não gosto muito de baralhar os termos. Os apologistas das sociedades igualitárias que o façam.

When measured, poverty is the absolute or relative poverty. Absolute poverty refers to a set standard which is consistent over time and between countries. An example of an absolute measurement would be the percentage of the population eating less food than is required to sustain the human body (approximately 2000-2500 calories per day for an adult male).

Relative poverty views poverty as socially defined and dependent on social context. In this case, the number of people counted as poor could increase while their income rise. A relative measurement would be to compare the total wealth of the poorest one-third of the population with the total wealth of richest 1% of the population. There are several different income inequality metrics. One example is the Gini coefficient.

In many developed countries the official definition of poverty used for statistical purposes is based on relative income. As such many critics argue that poverty statistics measure inequality rather than material deprivation or hardship. For instance, according to the Heritage Foundation, a conservative think tank, 46% of "those" in "poverty" in the U.S. own their own home (with the average poor person's home having three bedrooms, with one and a half baths, and a garage).

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Poverty

quarta-feira, outubro 10

Um Mercado à Parte

É fantástico, não é? Em média, um português aguenta mais de 12 anos na mesma empresa (na Europa só a Grécia faz melhor - ou pior, conforme a perspectiva). Nos Estados Unidos aguentam 4 anitos apenas. É a teoria do emprego para a vida que alimenta o sonho de parte do povo trabalhador. Em parte o medo de arriscar, o desejo da segurança. Mas em muito maior parte isto deve-se à impossibilidade de arriscar. Com as leis laborais que temos, uma empresa pensa duas vezes antes de contratar quem quer que seja, e o trabalhador pensa duas (para não dizer três ou quatro) vezes antes de deixar a sua empresa. Ou isso, ou o trabalhador português contenta-se com pouco, e rapidamente descobre o emprego que o deixa feliz...

Curiosamente (embora sem nada de curioso), a facilidade de despedir não promove taxas de desemprego elevadas. E mesmo sem gráfico, garanto-vos desde já que não promove salários baixos... Mais, boa parte da taxa de desemprego verificada nos EUA não é devido a desemprego de longo prazo (como em Portugal o é), mas por pessoas em situação de desemprego temporário enquanto acabaram de mandar um patrão à fava e procuram outro melhor.
O gráfico em cima é sobre o efeito do salário minimo no desemprego dos mais jovens. O que se constata é que quanto maior o salário minimo, maior o desemprego junto das classes mais jovens. Normal, um jovem sem habilitações e no inicio de actividade dificilmente terá um nível de produtividade que corresponda ao salário minimo...

Os estados a azul escuro, são estados norte americanos onde não existe salário minimo. Em Portugal nem se imagina o que isso é ou sequer que isso seja possível num país economicamente desenvolvido - há quem peça um salário mínimo tipo 426,5 euros. São curiosamente os mesmos que depois atacam o governo pelo desemprego elevado. Um dia, ainda me vão explicar de onde retiram estes valores. Qual o mecanismo e a forma de cálcular o salário minimo? Não há. De onde vem esta precisão dos 426,5? Podiam dizer qualquer coisa como à volta dos 425 euros, mas não, aquela merda é precisa: eles querem um salário minimo de 426,5 (atente-se no virgula cinco) euros. É um espectáculo. Mas em Portugal, acabar com o salário minimo seria o fim de qualquer governo.

Mas há sinais de mudança na sociedade portuguesa. No sector ao qual estou ligado, há várias pessoas a trabalharem no Algarve vindas de outras regiões do país (o que implica uma mobilidade não caracteristica do mercado de trabalho português), e boa parte do pessoal qualificado troca de empresa em busca de condições melhores a partir de certo ponto. Claro que continuam a existir pontos negros: há muito boa gente com qualidade para continuar a desempenhar funções na empresa que é posta de parte porque a empresa não pode arriscar ter mais um funcionário com contrato efectivo. Ao mesmo tempo que nessa empresa há pessoal efectivo que poderia muito bem ser posto de parte...

quinta-feira, setembro 27

Nominal vs Real


Brent atinge máximo histórico nos 80,20 dólares o barril

O barril de Brent, petróleo de referência na Europa, atingiu hoje um novo recorde acima da barreira dos 80 dólares a acompanhar as fortes valorizações dos mercados accionistas mundiais, suportado pela fraqueza do dólar e pelos novos receios de tempestades tropicais.

É, conheço muito boa gente cujo salário todos os anos atinge um máximo histórico, mas não os vejo com grande festejos - até se queixam que ganham menos. Será que podemos juntar a inflação à discussão?

segunda-feira, julho 2

Surpresa

Coisas que não percebiamos a ouvir Mário Soares: Menos Pobreza no Mundo

270 milhões de pobres a menos no mundo.
O número de pobres no mundo baixou de 1,25 mil milhões para 980 milhões de pessoas, o que corresponde a 16% dos habitantes da Terra.

Convém recordar Soares, na sua entrevista à revista Única do Expresso [negritos meus]:

P-Como define a relação que existe actualmente com o dinheiro?
R-O neoliberalismo deu às pessoas a ideia de que o mundo é uma selva e a selva é para os mais fortes, que se alimentam dos mais fracos. É o que se chama o "darwinismo social". A força, aliás, não se mede pelo músculo, mas pelo dinheiro. Cada vez há mais pobres e maiores desigualdades e o que acontece a esses pobres? É indiferente: estão condenados a desaparecer. Neste momento há um relatório, nos Estados Unidos, onde se diz que o grande inimigo já não é o terrorismo, mas o perigo que podem representar as populações do Sul, famintas, vítimas do desenvolvimento e das catástrofes naturais, procurando desesperadamente entrar nos países ricos do Norte. É a única resposta possível - diz o relatório - será a exterminação em massa. Vejam! Trata-se de preconizar o regresso à barbárie... Depois do humanismo iluminista e, apesar de tudo, de dois séculos de progresso.

Na cabeça de Soares talvez o (neo)liberalismo tenha-lhe deixado a ideia que "o mundo é uma selva", mas Soares também tem a ideia que há um relatório americano que alerta para o "perigo que podem representar as populações do Sul" e cuja solução para tal problema é a "exterminação em massa"... logo, eu diria que as ideias de Soares andam um bocado deslocadas da realidade. Mas o que me interessava mesmo na reportagem era a parte do "cada vez há mais pobres", ideia mil vezes repetida pelas gentes de esquerda, parados no tempo, e incapazes de perceber as vantagens da globalização e do comércio livre. Ao menos numa coisa gostava de concordar com Soares, na previsão de que os pobres "estão condenados a desaparecer". Afinal de contas, o número absoluto de pobres decresceu em 27 vezes a população portuguesa. O que me assusta, e muito, é aquele Portugal multiplicado por 98 que continua a viver na pobreza - e não seria certamente com as ideias de Soares que esse número seria reduzido.

sábado, junho 30

Sobre o que consumimos


Flora; Calvé; Hellmann's; Knorr; Lipton Ice Tea; Planta; Vaqueiro; Olá; Axe; Dove; Rexona; Skip; Sunlight; Sunsilk; Omo; Persil; entre outras...

Procter & Gambler

Wella; Tampax; Pantene; Pringles; Old Spice; Oral-B; Hugo Boss (fragância); Lacoste (fragância); Gillette; Ariel; Tide; entre outras...

Sobre espionagem industrial:

segunda-feira, maio 28

Tigre Luso


War over tax cuts widens in Europe
A tax-cut war is spreading across Europe as leaders of the Continent's biggest economies give up criticizing smaller neighbors for cutting business-tax rates and decide to join them instead.

"Corporate tax has been an important part of the story in strengthening growth, balances of payments, fiscal performance and currencies" in Eastern Europe, said Philip Poole, head of emerging-markets research at HSBC in London.

Now, falling budget deficits are making it easier for Sarkozy and other leaders to join the tax-cutting competition. JPMorgan Chase forecasts the budget shortfall in the 13 nations that share the euro will shrink to 1 percent of gross domestic product this year from 2.5 percent in 2005.

Supporters of lower corporate taxes point to the success of Ireland, whose 12.5 percent rate, the lowest in the developed world, is down from 47 percent in 1988. That proved a magnet for such U.S.-based technology companies as Microsoft, Intel and Dell and helped Ireland's economy grow more than three times the rate of the euro area in the past decade, while still running a budget surplus in nine of the 10 years.

Taxes are also only one factor companies consider when deciding where to locate. Employment regulations, work force skills, wage levels and infrastructure are also decisive.
Portugal dificilmente compete com os países de leste nos últimos quatro vectores apresentados como decisivos na escolha da localização para as empresas. E a mudança de paradigma em qualquer destes vectores dificilmente conseguirá ser atingida no curto prazo. Nem a muito custo teremos um mercado de trabalho mais flexível que o mercado de trabalho dos países de leste, e ainda mais dificilmente (porque a formação de uma pessoa demora anos) formaremos pessoas em número suficiente para nos cotarmos como um país predominantemente de mão de obra qualificada. Resta-nos a solução da redução da taxa de imposto. Mas passados tantos anos do fim da ditadura de Salazar e do lema do "orgulhosamente sós", o mesmo parece continuar a imperar.

Com os olhos da esquerda postos nos exemplos nórdicos - que apesar de tudo também tem vindo a diminuir a carga fiscal - como exemplos de países com elevada qualidade de vida apesar de uma carga fiscal acentuada, e com o centrão que nos governa cheio de medo de perder as receitas a que o monstro estatal já está habituado, o país parece não querer caminhar para a frente. Fazemos figura na Europa, adoptando uma postura fiscal semelhante à das grandes potencias europeias, que por razão da sua grandeza tem uma força que nós não temos. Queremos competir num campeonato que não é o nosso, e ao fim e ao cabo ficamos sem nada. Nem somos melhores do que aqueles com quem gostávamos de competir, e contra aqueles com quem deviamos competir - mas que tão ousadamente evitamos - há muito que levamos uma goleada.

E a mesma esqueda que simula e finge não perceber, há muito que percebeu o que se passa. Eles são os primeiros - por força do medo que sentem - a perceber o caminho que isto leva. E ao contrário de enfrentarem-no de frente, evitam-no e bradam aos céus contra a concorrência fiscal e anseiam por normas que regulamentem até que ponto um país soberano pode descer os seus impostos.

Já agora, se eu podesse, também votava no tigre celta. E um tigre luso, está longe de ser possível com o caminho que isto leva.


Three times in a decade, Ireland’s “Teflon” taoiseach (prime minister) has led his party to a stunning victory. On June 14th, he is expected to be re-elected as taoiseach for a third successive term too.

In the end this vote for the status quo was a vote for the Celtic Tiger, and against any change that might threaten its survival.

quarta-feira, maio 9

Fuga de cérebros

(via The Economist)

É bom ser gestor de topo em alguns países... fuga de cérebros... ui... ui...

domingo, maio 6

Socialismo Parvo *

Diz o Daniel Oliveira, a propósito desta noticia do Brasil - Governo quebra patente de droga anti-Aids; laboratório critica decisão - que:

O que não percebe o Daniel Oliveira é que são os "lucros absolutamente desproporcionados" que levam as empresas privadas a pagarem a investigação cientifica necessária para que tais medicamentos apareçam no mercado - custo de investigação extremamente arriscado, pois pode resultar em zero de retorno. Sem os "lucros absolutamente desproporcionados" a quantidade de medicamentos disponíveis no mercado seria muito menor em relação aos que existem hoje em dia. Isso sim, seria para mim, uma completa imoralidade.
A medida de Lula da Silva resultará portanto num beneficio no curto prazo para o Brasil, mas no longo prazo terá consequências gravosas. A não ser que o Daniel Oliveira me consiga explicar - como se eu fosse muito burro - que uma diminuição do retorno esperado da investigação cientifica, irá resultar num aumento (ou manutenção) desse mesmo investimento em investigação.

* titulo retirado daqui.

quarta-feira, maio 2

Comércio Livre

The Case for Free Trade

Today, as always, there is much support for tariffs [...] Of course, no group makes its claims on the basis of naked self-interest. Every group speaks of the "general interest," of the need to preserve jobs or to promote national security. The need to strengthen the dollar vis-à-vis the deutsche mark or the yen has more recently joined the traditional rationalizations for restrictions on imports.

One voice that is hardly ever raised is the consumer's. [...] the supporters of tariffs treat it as self evident that the creation of jobs is a desirable end, in and of itself, regardless of what the persons employed do. That is clearly wrong. If all we want are jobs, we can create any number--for example, have people dig holes and then fill them up again or perform other useless tasks. Work is sometimes its own reward. Mostly, however, it is the price we pay to get the things we want. Our real objective is not just jobs but productive jobs--jobs that will mean more goods and services to consume.

Another fallacy seldom contradicted is that exports are good, imports bad. The truth is very different. We cannot eat, wear, or enjoy the goods we send abroad. We eat bananas from Central America, wear Italian shoes, drive German automobiles, and enjoy programs we see on our Japanese TV sets. Our gain from foreign trade is what we import. Exports are the price we pay to get imports. As Adam Smith saw so clearly, the citizens of a nation benefit from getting as large a volume of imports as possible in return for its exports or, equivalently, from exporting as little as possible to pay for its imports.

[...]"Protection" really means exploiting the consumer. A "favorable balance of trade" really means exporting more than we import, sending abroad goods of greater total value than the goods we get from abroad.

[...]The argument in favor of tariffs that has the greatest emotional appeal to the public at large is the alleged need to protect the high standard of living of American workers from the "unfair" competition of workers in Japan or Korea or Hong Kong who are willing to work for a much lower wage. What is wrong with this argument? Don't we want to protect the high standard of living of our people?

The fallacy in this argument is the loose use of the terms "high" wage and "low" wage. What do high and low wages mean? American workers are paid in dollars; Japanese workers are paid in yen. How do we compare wages in dollars with wages in yen? How many yen equal a dollar? What determines the exchange rate?

[...]We are a great nation, the leader of the world. It ill behooves us to require Hong Kong and Taiwan to impose export quotas on textiles to "protect" our textile industry at the expense of U.S. consumers and of Chinese workers in Hong Kong and Taiwan. We speak glowingly of the virtues of free trade, while we use our political and economic power to induce Japan to restrict exports of steel and TV sets. We should move unilaterally to free trade, not instantaneously but over a period of, say, five years, at a pace announced in advance.

Few measures that we could take would do more to promote the cause of freedom at home and abroad than complete free trade. Instead of making grants to foreign governments in the name of economic aid--thereby promoting socialism--while at the same time imposing restrictions on the products they produce--thereby hindering free enterprise--we could assume a consistent and principled stance. We could say to the rest of the world: We believe in freedom and intend to practice it. We cannot force you to be free. But we can offer full cooperation on equal terms to all. Our market is open to you without tariffs or other restrictions. Sell here what you can and wish to. Buy whatever you can and wish to. In that way cooperation among individuals can be worldwide and free.


Adapted from "The Tyranny of Controls" in Free to Choose: A Personal Statement, by Milton Friedman and Rose Friedman

segunda-feira, abril 30

Mercado de Trabalho


  • O mercado de trabalho português é um dos mais estáveis da OCDE. Há uma baixa rotação de trabalhadores, com o número médio de empregos ao longo da vida activa por trabalhador a ser relativamente baixo; e a antiguidade média no posto de trabalho, por oposição, a ser relativamente alta.

  • Os custos de despedimento em Portugal são elevadíssimos, portanto o salário máximo que o empregador está disposto a pagar ao trabalhador diminui e o limiar minimo de produtividade para criar um novo posto de trabalho é maior.

  • A dinâmica do mercado de trabalho português é fraca (não há os famosos quits que se vêem nos filmes norte-americanos, nem andamos com a casa às costas, sempre disponiveis para irmos atrás dos locais onde há emprego)

  • Os elevados custos de despedimento levam a que a quantidade de pessoas despedidas seja menor, mas ao mesmo tempo leva a que a duração média do desemprego aumente - logo o efeito sobre o nível de emprego é incerto.

  • Os Estados Unidos é o país com maior flexibilidade de despedimentos. Tendo tido taxas de desemprego semelhantes à portuguesa, apresenta contudo uma duração média do desemprego três vezes inferior à portuguesa.

  • Em Portugal a taxa de desemprego reflecte sobretudo o tempo que um individuo demora até encontrar emprego, nos Estados Unidos da América reflecte a constante entrada e saida de pessoas dos seus empregos (o quit para ir atrás de um emprego melhor).

Fonte: Trabalhos do Professor Pedro Portugal - docente da cadeira de Economia do Trabalho da Universidade Nova de Lisboa, entre outras coisas...

quarta-feira, abril 25

É a globalização, estúpido

(via 25 centímetros de neve)

Em 1970, 38% da população mundial vivia abaixo da linha de pobreza (rendimento menor ou igual a 1 dólar por dia). Em 2000, a percentagem estava reduzida a 19% da população mundial. Apesar do crescimento populacional, o número de pobres foi reduzido de 1,4 biliões em 1970, para 1,2 biliões em 2000. O que permitiu tal facto? Já chego lá.
Em 1970, 86% da população mundial que vivia abaixo da linha de pobreza, residia no continente asiático. Em 2000, a percentagem de pobres asiáticos, havia baixado de 86% para 60%.
O continente africano, que em 1970 tinha 11% dos pobres mundiais, passou a representar 35% da pobreza mundial no ano 2000.
Qual foi o factor preponderante na saida de milhões de pessoas da pobreza? A globalização. E nenhum outro mercado, se não o mercado asiático, soube tão bem aproveitar esse factor para retirar as suas populações da miséria a que estavam sujeitas. O Japão deu o mote muito antes de todos os outros paises da zona, mas o processo iniciou-se efectivamente com os 4 tigres asiáticos (Hing Kong, Singapura, Taiwan e Coreia do Sul). Depois seguiram-se os 4 novos tigres asiáticos (Indónésia, Filipinas, Tailândia e Malásia). Mas acima de tudo, é com o desenvolvimento atingido pelos dois paises mais populosos do mundo (China e India), que a Ásia dá o salto nos gráficos relativos ao nível de pobreza absoluta no mundo.
Por sua vez, África debate-se com um enorme problema. Com as suas caracteristicas, dificilmente poderá usufruir dos beneficios da globalização da mesma forma que os paises do continente asiático - cuja principal vantagem competitiva residia na sua imensa mão de obra. Mão de obra essa que quando qualificada, permitiu-lhes dar o pulo de produtos de baixo valor acrescentado, para produtos de alto valor acrescentado, nomeadamente no campo tecnológico.
O continente africano a esse nível está muito limitado, e só pela via da exportação de produtos agricolas poderia dar o salto rumo a um futuro melhor. Mas nesse campo, sofre com as politicas de apoio à agricultura dos paises desenvolvidos, que impedem um verdadeiro mercado agricola livre a nível mundial - com o pior exemplo de todos a manifestar-se na Politica Agricola Comum da União Europeia.
Curioso será também perceber como é que com resultados positivos tão evidentes no nível de vida das populações, a globalização consiga ser tão amplamente criticada. Mas para isso eu já tinha de vir aqui dar noções do conceito de pobreza absoluta - entendida como a capacidade para adquirir uma quantidade de bens ou serviços - e de pobreza relativa - fixada com base no rendimento mediano de uma dada sociedade - fica para o próximo post.
PS: Recomendo vivamente um saltinho pelo Gapminder, nomeadamente pela ferramenta do Human Development Trend 2005.

sábado, abril 7

Virgem Ofendida

Pedro Arroja tem vindo a recorrer a uma argumentação que sugere que parte das culpas pelo males a que este país é sujeito derivam da formação em Direito de muitos dos seus lideres - nomeadamente aqui e aqui. A classe sentiu-se ofendida. O Ega aqui parece ter sentido tal afirmação como uma ofensa, referindo imediatamente que o autor de tal argumentação era Pedro Arroja, um economista. O caminho estava preparado para a discussão direito vs economia. Agora é o Carlos Abreu Amorim que vem emitir a sua opinião. Quanto ao Ega, avisou que iria comentar tal opinião mais tarde, fico à espera caro Ega, mas se for para fazer recair a análise na vertente economistas versus advogados/juristas, digo que o caminho não é o correcto. O CAA foi por esse caminho, respondeu ao Pedro Arroja criticando os economistas. Ainda por cima, parece que não leu correctamente o post do Pedro Arroja, pois a certa altura diz (em letra miudinha, vá-se lá saber porquê):
já agora, seria bom que o adorador de Oliveira Salazar, várias vezes assim confessado, o dr. Pedro Arroja, se recordasse que este era jurista e professor de direito -apenas a título de alguma réstea de coerência intelectual

Eu diria mais, era bom que, apenas a titulo de alguma réstea de coerência intelectual, que o dr. Carlos Amorim lesse os posts do Pedro Arroja antes de comentá-los, é que neste seu post Pedro Arroja afirma:

Assim, por exemplo, durante o século XX, aquilo que uniu os ditadores quegovernaram Portugal, ou ambicionaram governá-lo - como Salazar, Marcello Caetano, Álvaro Cunhal, ou mesmo Afonso Costa - não foi o seu catolicismo, mas o facto de serem todos formados em Direito.

Não comentando especificamente o que diz Pedro Arroja, é minha convicção que os homens do direito foram em grande parte responsáveis pelo atraso económico do pais. Nos tempos mais próximos basta atentar à nossa Constituição, que constitui um dos principais entraves à evolução do pais. Mas o problema não está só na nossa Constituição, estás nas nossas instituições e nas leis que as regulam. Recomendo vivamente: Law and Finance: Why does Legal Origin Matters.

terça-feira, abril 3

Com a rosa em queda muito menos

Reformas estruturais no país? Já lá vai o tempo. Sócrates parece estar a perder o estado de graça - a visibilidade constante nos jornais da noite já não lhe são tão favoráveis. A partir daqui proceder a reformas estruturais é o primeiro passo para o suicidio politico deste governo, e Sócrates irá evitá-las a todo o custo. O nosso PM espera agora que a economia mundial melhore, e possa lá para finais de 2008, antes do ano de eleições, garantir alguma folga para medidas populistas. Depois, bem... mesmo que eleito com nova maioria absoluta, será um arrastar até ao fim. Faço aqui a minha previsão Zandinga (muito mais arriscada que a do Lusco Fusco, dedicada somente ao fenómeno desportivo): em 2009 o PSD ganhará as eleições... e se for o PS a ganhá-las, esse mesmo governo não chegará ao fim do seu mandato.
Aguardam-se tempos dificeis para o pais - talvez mais dificieis que os actuais.
Hoje já várias vezes ouvi no Prós e Contras falarem dos custos da nossa adesão ao Euro - adesão essa que nos garantiu taxas de juro baixas e a consequente corrida à compra de casa, mas que devido ao nosso baixo nível de competitividade proporcionou uma série de efeitos negativos na nossa economia. Falta falarem do alargamento da União Europeia a leste - poucos estudos foram feitos sobre o assunto, mas um dos poucos que lembro-me de consultar, dava Portugal como o único pais da Europa a 15 que seria prejudicado por tal alargamento - mais uma vez, o problema reside na nossa falta de competitividade e no posicionamento periférico, que nos afasta do centro industrial europeu.

segunda-feira, março 12

Segurança Social

Através do jcd chego a este texto.

Os suíços rejeitaram em referendo, por mais de 70% dos votos, a criação de um sistema nacional de segurança social, tal como era proposto pelos partidos de Esquerda, optando assim por manter a actual situação de seguros médicos particulares.

E depois, através do Miguel, a este.

Até que uma tal (difícil) reforma institucional tenha eventualmente lugar, o sistema vigente impõe a mais fácil das soluções: a geração no poder impede qualquer modificação no sistema, preservando os seus direitos e impondo às gerações mais jovens a obrigação de os pagar. Esta, contudo, pode ser uma vitória pírrica.

Quando as actuais 2ª e 1ª geração chegarem ao poder, os custos do elevado numero de pensionistas a seu cargo, predominantemente a actual 3ª geração, poderão ser incomportáveis. Porventura, à nova “geração no poder” não restará outra solução do que reduzir os benefícios dos pensionistas, os quais serão apanhados de forma totalmente desprevenida: convencidos da inalienabilidade dos seus direitos, nunca na sua fase activa sentiram a necessidade de criar o seu próprio sistema de previdência individual, pelo que estarão totalmente impreparados para a crise do sistema que poderão enfrentar no final das suas vidas.

quinta-feira, fevereiro 15

Once Upon a Time in PSI-20


Parece-me que dificilmente a Portugal Telecom conseguirá evitar a sua aquisição por parte da Sonaecom. Ainda bem, porque quase todos os serviços que a Portugal Telecom presta hoje em dia de forma monopolistica funcionam mal... muito mal. Pelo menos, eu tenho muitas razões de queixa do serviço prestado quer pela TV Cabo, quer pela rede fixa telefónica da PT. Mas também resolvi-os em pouco tempo: mudei-me para a Cabovisão.

Lembro-me que quando fiz a cadeira de Análise Económica do Direito II, com o professor Nuno Garoupa, fiquei fascinado pela secção referente às Aquisições. Nomeadamente com o tipo de resposta que cada empresa pode levar a cabo face a uma situação de OPA hostil.

Gosto particularmente destas:
Pac-Man Defense - Quando uma empresa X sobre a qual é lançada a oferta de aquisição pela empresa Y, responde tentando adquirir a empresa Y.

Suicide Pill - Quando as poison pills adoptadas são tão drásticas que podem resultar em auto-destruição.
White Knight - Quando uma empresa Z amiga da empresa X que está a ser alvo de uma oferta de aquisição por parte da empresa Y decide ajudar a empresa X, entrando também na corrida pela aquisição da empresa X.
Killer Bees - É o nome que se dá às empresas, ou individuos, que são contratados pela empresa X, alvo de uma oferta de aquisição hostil por parte da empresa Y, para arranjarem formas de tornarem a empresa economicamente menos atractiva para a empresa Y.

quinta-feira, janeiro 18

Politically the world is a mess, but...

Um excelente artigo de Bill Emmott, antigo director da revista The Economist, que pode ser consultado aqui no Washington Post.

Meanwhile, we may feel that politically the world is a mess, but our feelings don't entirely fit the facts -- at least the immediate facts. There are fewer inter-state wars now than there were five, ten or fifteen years ago. The conflicts we are most disturbed about -- Iraq, Israel, Sri Lanka -- are civil wars. The country whose prestige has been damaged most by the debacle in Iraq is of course the United States, so we tend to think of this as politically highly significant. And it may prove to be, but it isn't right now.

The big reason why the world economy is unaffected by turmoil in the Middle East, or even by the nuclear weapons programs of Iran and North Korea, is that the world's great powers -- America, China, Russia, the EU countries, India and Japan -- are more or less friendly with one another and more or less co-operative with one another. None is seeking to stoke up conflict with any of the others.

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